sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Amigos da sabedoria

Na Grécia Antiga, Pitágoras de Samos cunhou o termo "filósofo", dizendo ser o conhecimento absoluto posse exclusiva dos deuses, podendo o homem mortal apenas ser "amigo da sabedoria". Por toda a histórica existência do ser humano, este acumulou conhecimentos na tentativa de explicar o ambiente em que vive, podendo melhor ordenar suas condições para seu próprio prazer e conforto. Para a transmissão dessa imensa gama de conhecimentos, fundou-se uma instituição, a Escola, hoje degenerada dessa nobre função primordial.
Constata-se, no Brasil, um irrefutável sucateamento do setor, tanto no na esfera pública, principalmente, devido à falta de investimentos e precária gestão, quanto na privada, entregue ao ensino voltado para os vestibulares de universidades, paradoxalmente, públicas.
A queda no sistema educacional brasileiro pode ser explicada por um acordo do Ministério da Educação com um órgão norte-americano, durante o período da repressão militar, que visava à americanização das escolas brasileiras. Diminui-se o número de anos de escolaridade básica e retirou-se do currículo-padrão disciplinas como sociologia e filosofia, ao mesmo tempo em que se privilegiou métodos tecnicistas para o ensino das demais matérias, medidas que auxiliaram na manutenção do regime ditatorial.
A notável diminuição no padrão de ensino da rede pública, por sua vez, acarretou a degeneração do ensino privado, que poderia, então, sustentar-se oferecendo um nível de educação apenas levemente superior ao público, atraindo, assim, principalmente a classe média, que poderia arcar com seus custos. A educação passou, dessa forma, de um instrumento de inclusão a uma notável forma de exclusão social.
Muito além de destinar verbas ao setor, o papel do governo na educação deveria ser o de fiscalizar a materialização desse capital em obras profícuas para as escolas do país, dentre as quais deve-se destacar o estabelecimento de um justo salário aos professores, bem como programas que visem à qualificação destes. Projetos que prevejam a melhoria na infra-estrutura dos prédios escolares são também necessários.
Além do papel do Estado, faz-se necessária uma ampla mobilização da sociedade, partindo das classes de maior erudição, para a valorização de conhecimento à moda dos filósofs gregos. Motivando-se o desejo pelo conhecimento, muda-se a própria estrutura atual de ensino, os alunos sendo levados a aprender por si só, contando com os professores como orientadores, num processo similar à maiêutica socrática.
Tem-se, assim, as bases que estruturariam física e moralmente um projeto educacional brasileiro. Infra-estrutura e prazer complementar-se-iam, alicerçando o principal pedestal para uma futura, e, por enquanto, utópica, igualdade social.

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