quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Liberdade: que estátua é essa?

"Estou brincando de estátua da liberdade,
com um livro de fábulas numa mão
e uma lâmpada apagada na outra."
(Mafalda - personagem dos quadrinhos)

Componente de lemas de revoluções burguesas, nome de uma estátua na capital consumista do mundo, e reivindicada por todas as populações e pessoas, a liberdade, em suas variadas conotações, é um dos temas mais discutidos da História. Como conceituação primitiva tem-se a idéia de liberdade individual, a possibilidade conferida aos indivíduos de deliberar sobre o curso de suas vidas. Essa liberdade, considerada direito primordial do Homem, é assegurada pela maioria das Constituições, mas tem sido, contudo, restringida por diversos fatores, como possibilidades financeiras e ideologias impostas, limitando-se, assim, a capacidade expressiva e construtiva dos indivíduos e de toda a sociedade.
O conceito atual de liberdade é fruto da organização social, pois esta impôs ao Homem a máxima valorização da vida, em detrimento da visão da morte como fator natural, concepção existente no meio estritamente biológico. A liberdade formava-se como uma característica do coletivo, e não apenas de um ser em si, e seviria para garantir a vida de todos os indivíduos e a maior expressão destes, sem que algum, no entanto, prejudicasse o grupo.
O exercício desse direito humano irrevogável representa, portanto a afirmação do cidadão no meio social, obtendo-se, assim, a confirmação dos predicativos morais perante a sociedade. Valendo-se de sua liverdade, o indivíduo mantém responsabilidades pessoais e sociais, utilizando sua criatividade e potencial em prol do grupo que lhe permitiu formas de governo; contradições, dentro dos sistemas são constantes, havendo, com freqüência, classes mais "livres" que outras.
A própria Grécia Antiga, berço da Democracia, criou o exílio e utilizou como base de sustentação para sua economia um regime escravista, ambos ataques à proposta de liberdade, esta privilégio de poucos. No atual capitalismo, intitulado "o sistema liberal", há liberdade quase que restrita ao plano econômico, a "livre-concorrência", da qual desfrutam as classes mais abastadas, que têm o poder de escolher o que consumir, ou "de quem" consumir.
Quando cerceada a liberdade, o que ocorre também ao se impor uma ideologia de massa pela mídia, há uma homegeneização das mentes dos indivíduos, facilitando o controle destes por um governo, em épocas de ditadura, ou pela classe dominante. Há, por conseguinte, menor grau de diferenciação entre as pessoas e uma menor mobilidade entre as classes. A menor confluência de idéias leva, conseqüentemente, a um menor desenvolvimento em todas as esferas.
Além de inconstitucional, na maioria das vezes, a repressão à liberdade pessoal impede a manifestação de idéias, de uma criatividade singular, e barra o crescimento de toda uma nação. O desafio está em tornar as teóricas constituições práticas e conseguir conviver com as liberdades individuais, mesmo que isso implique na retração de algum objetivo pessoal. Os benefícios de participar de uma sociedade em que cada indivíduo faz o melhor para si e para o grupo serão, certamente, compensatórios.

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